Autoral comercial. É possível?

Vejo tantos fotógrafos talentosos, espertos, perseverantes, sonhadores (como eu, he he…), e um pensamento sempre me ronda a mente: como conciliar a produção artística com a sobrevivência num mundo capitalista?

Eu sempre trabalhei com “coisas técnicas”, máquinas, circuitos elétricos e eletrônicos, mecânica de precisão, informática, ufa!, tantas coisas que já fiz… Essas áreas não dão uma boa remuneração, pelo menos para a base da pirâmide, mas em contrapartida, dão o sustento básico para sobrevivência. Bem o que eu fiz e venho fazendo há muitos anos. Mesmo na fotografia, que é uma paixão desde os 7 anos de idade, mesmo ela foi por mim encarada como mais uma área técnica, onde ficava mais vislumbrado com o funcionamento da câmera, seus mecanismos internos, o obturador, o movimento de uma lente zoom, do que com as imagens que ela poderia produzir, manejada por um bom fotógrafo,

De uns anos para cá, uns dois, comecei a encarar a fotografia como uma forma de expressão de sentimentos, e como que de repente, comecei a capturar imagens nunca antes sequer sonhadas por mim!

De churrasquinho na praia, cachorrinho mordendo meu pé, uns amigos fazendo caretas, passei a perceber detalhes em muros com tijolos à mostra, texturas de cascas de árvores, padrões repetitivos, perspectiva, movimento, grandes centros e seus prédios, automóveis e gente passando pra lá e pra cá!

Aí eu percebi que tudo o que fiz até agora, por mais de trinta anos, foi estar com o “conector do Matriz” plugado na minha nuca, e agora como que por encanto, caí “na real”, (um “Morpheus” passando me desconectou, talvez…). Fiquei engessado e confundindo hobby com carreira profissional.

Sabem o que é acordar e perceber que todas essas “coisas técnicas” eram um hobby e a captura da imagem através de uma câmera era minha real vocação, minha carreira, que eu deveria ter construído desde cedo??? Quase pirei ao pensar em tantos anos “perdidos” (as aspas são porque já cansaram de me falar que nada se perde na vida) pulando de emprego a emprego, nunca estando satisfeito, sempre achando que “agora nesse vai dar certo”!!

Tudo bem, ao longo dos anos, sempre tentei fazer paralelamente algo que me fizesse feliz profissionalmente, mas hoje vejo que essas tentativas não foram fortes o suficiente para me engajar de verdade. Mas sempre me dizem (os que gostam de verdade de mim, he he) que nunca é tarde e que o melhor da vida é sempre poder recomeçar…

Uma coisa é certa. Agarrei esse “mote” da fotografia tão fortemente agora que vai ser difícil mesmo essa danada voltar a ser um simples hobby bonitinho. Nem que seja pra continuar na área técnica para sobreviver, mas meu trabalho de capturar o mundo só cessará quando o coração parar de bater.

E deixo a pergunta para reflexão: dá pra viver, mesmo com pouco, com produção autoral???

Até o próximo!!!

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s